Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005
Um novo cidadão do mundo*
Ser cidadão do mundo, a meu ver, é muito mais do que ter um passaporte carimbado. Ser cidadão do mundo é ser cidadão em ação. É participar ativamente da construção de um novo mundo e de um novo conceito de cidadania. Este é um dos principais objetivos do Projeto Rondon, criar cidadãos conscientes do seu papel na sociedade. Mas para isso, antes é preciso desenvolver e aperfeiçoar uma das características mais importantes deste novo cidadão do mundo, que é a analise critica.
Analisar é observar cuidadosamente e fazer isso de forma crítica é ir além do superficial que é nos posto de imediato. Com base em um processo educativo não formal, no qual a ação e a reflexão são os principais meios de aprendizagem, ao longo do programa vamos descartando certas crenças e valores que antes tínhamos do mundo e vamos adquirindo outras. Somos os nossos próprios professores, vivendo e experimentando o próprio aprendizado e os frutos dele.
Para mim o Projeto teve duas fases distintas, a do Brasil, onde trabalhei em uma Rádio Comunitária e em um projeto de Orientação e Apoio Sócio-familiar que visava ensinar mulheres de comunidades carentes um ofício através do artesanato. Durante os três meses que estive envolvida com estes trabalhos vivenciei uma realidade do meu país que antes parecia muito longe. Troquei experiências e aprendi que mesmo na dura realidade deste país, quando há oportunidades o brasileiro consegue ir adiante e vence.
Já em Québec no Canadá, habitei e trabalhei em uma fazenda orgânica, onde aprendi muito mais que os difíceis dias frios no campo podiam me oferecer. O que é comércio justo e os benefícios do cultivo orgânico são alguns dos conceitos que carrego comigo hoje.
Enfim, aprendemos muito mais do que política, economia, meio ambiente e cultura. Vivenciamos trocas, choques culturais, étnicos e religiosos e aprendemos a superá-los e a conviver com as diferenças, nos tornando cidadãos melhores e capazes de mudar a realidade ao nosso redor.
*Texto publicado para a revista de reabertura do Projeto Rondon.
Foi a Vanny que disse... às
11:52
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Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005
Eu não sei dizer NÃO... ao telemarketing
Quem nunca foi supreendido numa tarde atarefada ou numa manhã ociosa por aquela ligação inesperada. De um lado da linha, você, que tinha mais o que fazer e do outro a voz inconfundível do operador de telemarketing.
Maldito seja o dia em que um comerciante preguiçoso achou que poderia vender seus produtos sentado no conforto do seu escritório. Abriu a lista telefônica e passou a azucrinar os viventes com promessas mirabolantes e descontos feitos especialmente pra eles.
E não adianta você tentar de todas as maneiras convecê-lo que não precisa de mais uma dessas geringonças de fazer abdominais... a voz continua lá: perene, irredutível e disposta a fazer tudo o que for preciso para conseguir seus dados e o número da sua conta bancária.
Eu não sei dizer não ao telemarketing. Talvez seja por pura incapacidade minha de inventar desculpas que convençam que eu não precise de um kit contra queda de cabelos ou a mais nova edição da enciclopédia britânica 67 volumes, afinal cultura e cabelos todo mundo precisa e nunca é de mais!
E agora estou escrevendo essa crônica equanto espero a mocinha do outro lado da linha convencer-me de que internet Terra discada por 2 meses grátis é tudo o que eu estava precisando, afinal quem precisa de ADSL hoje em dia!!!
Foi a Vanny que disse... às 12:01
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Quarta-feira, Janeiro 26, 2005
Fazendo a social!
Assim como os lobos andam em grupos, essa cidade anda em círculos...sociais. E se você não faz parte de uma dessas panelinhas, vai se flagrar em casa num Sábado como este, sentado na frente do computador escrevendo uma crônica esfarrapada e "criando barriga" como diria minha avó.
Nunca fiz parte de nenhum grupinho ou "tribo", como essas revistas teens preferem chamar um aglomerado de adolescentes cheios de espinhas e hormônios a flor da pele.
Na turma dos surfistas eu nunca me dei bem, afinal eu odeio praia. Até tentei namorar um surfista, mas enquanto ele fingia que pegava ondas, eu fingia que lia na beira do mar. Cansei de esperar, ler no sol dá dor de cabeça.
Nem pra turma dos intelectuais eu sirvo. Já fui testada e reprovada. Eu só folheei os clássicos!
Tudo o que eu consegui até hoje é o resultado de minha força de vontade e por seguir algumas regras simples da boa educação, como dizer "por favor", "muito obrigado" e manter o nariz sempre limpo.
Foi a Vanny que disse... às 21:34
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Calor, sol e praia!
Devo ser uma dessas raras pessoas que não gosta do verão. Temo em admitir essa verdade em uma roda de amigos por medo de sofrer represálias. O calor, o mar (eu não sei nadar) e a areia tudo isso me encomoda.
Nasci no verão. Como não tive escolha passei 21 anos comemorando meu aniversário sozinha, sem meus amigos por perto, pois todos estavam de férias e tinham ido para uma praia bem longe da minha. E também são raros os que se lembram da datam, os outros estavam muito ocupados comendo milho verde e tomando água de coco na beira do mar para me ligar!
Estação propícia também para perder namorados. Sempre fui chutada ao menor prenúncio de calor, férias e festas. Mas tudo bem... eu sempre superei todas as minhas dores de cotovelo até a próxima temporada.
Mas o verão não é só uma maré de azar. O verão também é época de mostrar o corpinho que foi malhado com muito esmero. Mas se você é como eu e não fez nada durante o ano inteiro, se impanturrou de comida no inverno e ficou sentada na frente de um computador criando barriga, deve começar a usar o verão como pretexto e começar a malhar (Tarde de mais, mas tudo bem, você está precisando mesmo!)
Aproveite e corra na beira do mar, somo um país com milhares de kilometros de praia. Sol, calor, mar e areia é o que não vai faltar.
Foi a Vanny que disse... às 21:12
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Sexta-feira, Junho 25, 2004
Is you momma going to miss you now you´re gone?
Is you momma going to miss you, little rolling stone?
Is momma going to cry that she´s alone?
´Cause momma´s girl ain´t going home...
Foi a Vanny que disse... às 20:31
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Uma semana para a minha viagem...
Estava conversando com um amigo sobre a minha inquietante vondade de ir embora. Ele me repreendeu perguntando se não havia nada que me prendesse aqui. E eu o respondi com outra pergunta, se ele não sentia vontade de ir embora às vezes, de sumir por uns tempos. Diferente de mim, ele sente vontade de "voltar".
Sim, existem coisas que me prendem aqui. E a verdade não está lá fora. Mas somente quando enfrentamos o mundo é que nos deparamos com as respostas que mais procurávamos e que estavam, surpreendentemente, dentro de nós.
Esse texto do Oswaldo Montenegro representa TUDO o que eu estou sentindo agora. Aliás representa a minha vida em verso, como nem eu mesma conseguiria escrever.
Metade
Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Pois metade de mim é o que grito, a outra metade é silencio.
Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor.
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos.
Pois metade de mim é o que ouço, a outra metade é o que calo.
Que a minha vontade de ir embora se transforme na calma e paz que mereço.
Que a tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Pois metade de mim é o que penso, a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste e o convívio comigo se torne, ao menos, suportável.
Que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso que me lembro ter dado na infância.
Pois metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria, para me fazer aquietar o espírito.
E que o silêncio me fale cada vez mais.
Pois metade de mim é abrigo, a outra metade é cansaço.
Que a arte me aponte uma resposta, mesmo que ela mesma não saiba.
E que ninguém a tente complicar,
pois é preciso simplicidade para faze-la florescer.
Pois metade de mim é platéia, a outra metade‚ canção.
Que a minha loucura seja perdoada.
Pois metade de mim é amor ... a outra também.
Foi a Vanny que disse... às 19:49
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Quarta-feira, Junho 23, 2004
Nascida sob o signo de carpricórnio, eu sofro todas as influências malditas que os astros emanam. Sou geniosa, teimosa, mal humorada e metida a besta. Eu levo qualquer piadinha para o lado pessoal e guardo rancor. Não venha me dizer que era brincadeira, agora já é tarde e eu te odeio!
Nem Hitchcock dirigiria um filme como a minha vida. Talvez suspense não seria a categoria correta, mas sim uma daquelas comédias americanas, no qual o ator principal é mais patético que o próprio roteiro.
Eu: patética. Minha vida: uma piada.
Foi a Vanny que disse... às 12:38
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Sábado, Junho 12, 2004
Meu romântico dia dos namorados!
Acordo e a primeira coisa que penso é "Que merda tenho que levantar..." e começo a elencar desculpas esfarrapadas para não sair de baixo daquelas cobertas.
O pior de tudo é que tenho que levantar e aí... uma sequência natural de idiotices vão sucedendo.
Visto a última calça que comprei... tamanho 44, vou ao banheiro e faço um rabo de cavalo, sim porque não lavei o cabelo ontem e hoje ele está um nojo. Faço xixi semi de pé, porque ninguém merece privada gelada na bunda às 7 da manhã.
Ao tomar café lembro que estou de regime. Que ótimo... sem fiambres por hoje! A essa altura do campeonato um "Bom dia" proferido em minha direção se tornaria um insulto e a resposta que mais se aplicaria seria um "Vai tomar no c...".
Está muito frio lá fora. Ligo o computador para ver os emails. NADA de emails. MSN... ninguém online. Mas é óbvio, todos devem estar com seus respectivos, fazendo coisas bem melhores e falando com vozes de nenê um para o outro... Que meigo...
Se ao menos tivesse aula hoje, eu poderia me mandar flores como fiz no cursinho uma vez!!!
- A senhorita Sabrina é desta turma???
(Eu neste momento fazendo cara de desentendida... )
- Flores!! Oh, de quem será???
E a turma inteira em coro, gritava: "Lê o cartão! Lê o cartão!"
O professor chega até a minha classe e pede permissão para ler o maldito cartão. Eu concedo, rubra de vergonha. Agora já era tarde de mais.
"Sabrina, você é única. Sublime, suprema. Se me permitir serei seu para todo o sempre! AMO-TE. Beijos do ADMIRADOR SECRETO!"
Foi a Vanny que disse... às 10:32
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Terça-feira, Junho 08, 2004
A loucas também amam
E na louca ânsia de amar, também erram e choram.
E choram de novo... até ficarem roucas e descabeladas como as verdadeiras loucas são.
Vivem em constantes devaneios, profanam imagens sagradas, falam palavrões, se tocam por tesão... Assim agem as loucas no auge da paixão.
Não correspondida a louca se ajoelha, implora, se arrasta pelo chão.
Não correspondida a louca vai até o limite do digno que lhe convém (os loucos não seguem convenções padronizadas...) para só então esquecer o ser amado. E odiá-lo...
Para não ter mais volta.
O início do fim já começou.
E a louca, sentada a beira da janela, espera a hora certa de se atirar.
Foi a Vanny que disse... às 15:00
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Domingo, Junho 06, 2004
Sobre o que eu não entendo
Talvez eu devesse parar de escrever sobre os homens. Não os entendo. Nunca os entendi. E quem sabe nunca chegue a entender.
E não se deve afirmar coisas sobre as quais não entendemos por completo.
Mas pra mim, escrever é um ato de busca. Cansei de esperar as respostas certas das pessoas erradas, então escrevo. Porque assim eu invento minhas próprias respostas para as minhas perguntas erradas...
Ps: Estou melancólica hoje...
Foi a Vanny que disse... às 23:09
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